Maestro arrisca pagar 1.3 milhoes – Miguel Graça Moura acusado de gastar indevidamente 720 mil euros

Músico dirigiu durante 11 anos a Orquestra Netropolitana de Lisboa, de onde saiu em ruptura. Pedro Burmester foi ontem defendê-lo em tribunal.

  O maestro Miguel Graça Moura arrisca pagar uma indemnização de 1,3 milhões de euros à Associação Música, Educação e Cultura (AMEC) e à Câmara Municipal de Lisboa.
Acusado do crime de falsificação de documento e peculato, por apropriação indevida de bens, serviços e dinheiro da AMEC – gestora da Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML), que fundou e dirigiu entre 1992 e 2003 – , Graça Moura foi parco em palavras, à saída da sala de audiências do Campus da Justiça, onde ontem decorreu mais uma sessão do julgamento.
“O que está em causa nesta sessão só pode ser percebido ao mais alto nível artístico e tenho dúvidas que a justiça o perceba”, disse o arguido. Questionado pelo CM quanto à aparente falta de optimismo num desfecho favorável, o maestro retorquiu: “Nunca se sabe.”
Na sessão, o pianista Pedro Burmester testemunhou em defesa do maestro, com o qual colaborou vários anos, enaltecendo a “gestão excelente” da OML. Admitindo que usualmente “o tratamento dado aos músicos é especial e diferenciado”, para justificar elevados gastos praticados pelo fundador da OML, o músico lembrou até “um festival em Macau em que cada músico tinha direito a carro e secretária particular”.
O caso que originou o processo contra o maestro remonta a 2002, quando a Câmara de Lisboa – financiadora maioritária da Metropolitana – pediu uma auditoria às contas da AMEC por indícios de gestão danosa. Identificado um défice de tesouraria, Graça Moura viria a ser destituído em 2003. O total de fundos públicos indevidamente gastos a título pessoal ascende a 720 mil euros, valor calculado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, pela análise a despesas feitas pelo maestro, com cartões de débito e crédito, próprios e da AMEC, de 1996 a 2002.
A sentença deverá ser conhecida até ao final do ano.

Lingerie, resorts de luxo e até viagens de balão

  Entre as despesas identificadas pelo DIAP estão extravagâncias como o aluguer de uma limusina durante uma viagem à Tailândia (no valor de 3971 euros), uma estadia num resort de luxo, um safari ou uma viagem de balão para duas pessoas (1604 euros). Gastos relativos à casa do maestro, passagens aéreas em primeira classe – em seu nome e de terceiros, alheios à associação – , vestidos, charutos cubanos, jóias e até peças de lingerie também constam desta listagem.

PORMENORES:

  • Testemunhas ilustres: Entre as figuras conhecidas que já testemunharam no processo, estão nomes como Santana Lopes, Jorge Sampaio, João Soares e Manuela Ferreira Leite.
  • Valor milionário: A AMEC pede uma indemnização cível de 1.2 milhões de euros ao maestro e a autarquia reclama 100 mil euros de danos patrimoniais, concretizaram ao CM os advogados das duas entidades.

FONTE: Correio da Manhã

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