Os 29 mandamentos do Rock’n’Roll – Tudo o que é preciso para vencer no mundo do Rock, nas palavras de quem sabe do que fala – JOHNNY MARR (47 anos)

Dono e senhor dos «rendilhados» dos Smiths

Se não é difícil não vale a pena: Estar numa banda, excelente ou não, não deve ser fácil. Se for, alguma coisa está mal. Ainda que todas as bandas das quais fiz parte na minha adolescência fossem completamente inexperientes, todos levávamos aquilo muito a sério: era uma questão de vida ou de morte. E é assim que deve ser. Mesmo as partes más da vida de músico – aterrar nos sofás dos amigos, carregar equipamento na neve, viajar em carrinhas decrépitas – me soavam bem. Pelo menos bem melhor do que a alternativa: o emprego das 09 às 05 num escritório ou algo do género, o equivalente à destruição da vida.

Faça-se ouvir: Há quem diga que é preciso muita sorte – e isso é definitivamente verdade – mas ninguém vai reparar em vocês se estiverem sentados sem fazer nada e a dizer mal de toda a gente. Têm de criar a vossa própria sorte. A maior parte dos músicos quer ser ouvida e vista. E é assim que deve ser.

A música é uma forma de olhar para o mundo: O mundo não fazia muito sentido para mim até que decidi ser músico. Fazer música foi uma necessidade emocional e psíquica, e acho que, de certa forma, também foi algo pragmático. Tinha de escapar dos subúrbios e do cinzentismo daquele tipo de existência. Mesmo antes disso, quando era miúdo, a música era outro mundo para onde escapar e a partir daí decidi que ia ser a minha casa, na minha cabeça. E isso ditou sempre a minha visão dos acontecimentos. Via tudo em termos de cultura pop e música rock.

Aceitar a evolução: Em termos musicais, estive sempre a avançar compulsivamente, sempre a mover-me de uma cena para a outra. Foi assim que aprendi a tocar guitarra da forma como toco. Algumas pessoas querem sempre ter a certeza de onde vão estar e do que estarão a fazer na semana seguinte ou no ano seguinte, por segurança, mas eu sempre odiei toda essa ideia. Tenho de sentir que estou a avançar.

Na música não há patamares: Há que manter a paixão. Adoro sentir que sou melhor guitarrista hoje em dia do que alguma vez fui. Quanto mais me dedico melhor me torno, vou ficando melhor com a idade. Quando somos novos tomamos as coisas por certas. Nunca consegui perceber os guitarristas que dizem que chegam a certo nível e ficam ali. Penso na guitarra como uma máquina multifacetada. Teria de viver mais umas quantas vidas antes de poder sequer contemplar ser o guitarrista que quero mesmo ser.

Apreciar os dois lados da equação musical: Não gostava nada das digressões. Gostava de estúdio e gravar discos. A tecnologia, a guitarra, as inovações… adorava estar no meio disso tudo. A ideia de eu conseguir fazer aquilo, no meu estúdio, todos os dias, era como poder ir a Marte sempre que quisesse. Mas depois fartei-me. Passei-me para o outro lado. Adoro andar em digressão, o autocarro, as viagens. Gosto de ter de tratar do meu equipamento todos os dias e da sensação que obtenho do público.

Nunca, nunca acreditem no hype: Não embarquem nas modinhas. Isso dá cabo de uma banda. As grandes bandas esperam sempre muito mais de si mesmas do que os fãs ou os media. De certa forma, é isso que faz delas grande. É como um sistema interno de filtragem. Dessa forma, o hype não as afecta. A atenção do exterior não interessa, é só uma coisa que surge naturalmente. Mas quando surgem os elogios e se lhes dá demasiada importância, aí é que estamos em sarilhos – somos expostos como uma fraude.

FONTE: Blitz (Janeiro 2012)

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