Promotor de espectáculos fala sobre ‘cachets’ de bandas: “Os Radiohead receberam cem libras em 1993 para tocar”

João Moço [Diário de Notícias]: É uma prática corrente não se pagar cachet aos artistas ou bandas que fazem as primeiras partes dos concertos de nomes mais conhecidos?

Álvaro Covões [Director da Everything is New]: Todos os espectáculos são unidades de negócio particulares e cada um tem o seu orçamento, que pode incluir uma parte para uma banda de suporte.

Quais os benefícios de se ter uma banda a actuar como suporte do artista principal?

As primeiras partes ou são uma alavanca para se venderem mais bilhetes ou então são uma oportunidade para os artistas poderem promover o seu trabalho. Por exemplo, neste tipo de casos lembro-me sempre dos Radiohead. Eles quando vieram cá em 1993 fazer a primeira parte dos James [no Pavilhão do Belenenses] receberam cem libras. Esta quantia nem dava para pagar almoços ou jantares. Para eles foi uma questão de oportunidade. Eles até já comentaram em entrevistas que na altura estavam a pensar deixar de fazer as primeiras partes, mas quando chegaram a Lisboa e as pessoas cantaram as suas músicas perceberam que havia qualquer coisa.

Existem casos semelhantes ao dos Radiohead em Portugal?

Houve uma história na altura em que os Silence 4 estavam a começar e fizemos um espectáculo com eles. Na altura foi feito um acordo tripartido entre promotora, editora e representante da banda e a editora é que alugou o backline [equipamento áudio necessário para um concerto]. O caso até foi notícia, em que se referia que a editora pagava para a anda tocar, mas foi um investimento feito. Mais tarde vão ao Sudoeste e, por um mero acordo logístico que obrigou a antecipar as actuações dos Portishead e da PJ Harvey, eles fecharam o dia. Em Dezembro desse ano estavam a tocar para 18 mil pessoas no Pavilhão Atlântico. Muitas vezes, as primeiras partes são mesmo uma oportunidade para os artistas se promoverem.

Quanto é que em média se costuma pagar a um artista que actua na primeira parte?

Depende muito dos casos, depende do modelo de negócio que é estabelecido em cada espectáculo e com o artista principal. Por exemplo, já tivemos casos em que pagámos mil euros. Muitas vezes, e isto acontece também lá fora, as bandas de suporte recebem uns cem ou 200 euros e às vezes até pagam à banda principal 25% de aluguer de equipamento de som e luzes. As bandas estrangeiras que actuam durante a primeira parte fazem muito isto e não fomos nós que inventámos este modelo. Aliás, neste caso, que para mim é uma não história, recebemos logo vários e-mails de músicos a dizerem que não se importavam de tocar conforme as nossas condições, e já temos quem faça a primeira parte dos Girls na Casa da Música.

O actual cenário de crise que o País enfrenta e a possibilidade do aumento do IVA nos bilhetes dos espectáculos não influencia o orçamento que se tem para um artista de suporte?

Um orçamento é somente um orçamento e é feito em função da realidade. A crise não tem nada que ver com o caso.

FONTE: Diário de Notícias

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