Waldick Soriano (1933-2008)

  No ano passado a actriz Patrícia Pillar estreou-se na realização dirigindo e assenado um documentário sobre a vida e a carreira de Waldick Soriano, compositor e intérprete brasileiro, ícone da música “brega” que sera qualquer coisa entre a canção romantic e a pirosice como arte.
  Patrícia Pillar faz parte de uma geração de artistas brasileiros que viu sempre em Waldick um fenómeno admirável de comunicação com o povo. “Acompanhei-o pelo país fora e testemunhei como derretia plateias de todas as idades. Era um invasor de corações para além de ser um homem amoroso com um olhar inteligente sobre tudo o que o rodeava”, disse a actriz lamentando a morte do “grande Waldick”, aos 75 anos, depois de uma vida cheia, 84 discos gravados e tudo, tudo, menos conversa mole.
  Waldick nasceu em Caetité, no sertão baiano, e foi um camponês, engraxador, motorista de camião, servente de pedreiro e “garimpeiro” de ametistas antes de se transformer num ídolo popular. Estudos foram poucos, mas bons. “Fiz só o ensino primário mas o primário, naquele tempo, valia um curso superior. E tem uma coisa, a vida ensina muito”, explicou-se numa entrevista. A vida ensinou-lhe a perseguir o seu sonho de cantar. Em 1958 abandonou Caetité e rumou a São Paulo. Dois anos depois assinava o seu primeiro contrato professional com uma editor e lançava um disco com dois boleros, “Quem és tu?” e “Só você”.
  “Quem és tu, para quereres manchar meu nome?/Quem és tu, se fui eu que matou tua fome?” Rima simples e eficaz. Impossível não reparar. Waldick Soriano ainda não tinha 30 anos mas já se apresentava com a indumentária que também o ajudou a tornar famoso. Desde menino que gostava de filmes de cowboys e Durango Kid era o seu ídolo. Nunca se apresentou em public sem o seu chapéu negro de abas, trajando da cabeça aos pés como um herói do Velho Oeste. Aliás, só teve dois ídolos na vida: Durango Kid e ele próprio: “o cantor que eu admirei mais ao longo da minha vida fui eu mesmo” não teve pejo em afirmar, rindo-se dele e dos outros.
  O seu maior sucesso foi “Eu não sou cachorro, não” que virou um ditto popular brasileiro e uma espécie de imagem de marca do cantor, uma canção-tema sempre reclamada pelo public. Waldick nunca foi cachorro, não. Romântico incansável, casou-se três vezes e partiu muitos corações, inclusive o seu. No final da vida, fez as contas e chegou a uma conclusão: “o tempo que eu passei melhor foi o tempo em que não amei ninguém.” As fãs perdoaram-lhe a franqueza.

FONTE: Domingo

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