PUNK

Para uns foram quatro anos, para outros apenas um punhado de meses algures entre 1976 e 1977. indefinições á parte, o PUNK é hoje visto como um marco na história da música popular. Recordam-se os primeiros sintomas do chamamento londrino que, 30 anos depois, ainda arde.

2006. O punk-rock apaga 30 espinhosas velas. Os Sex Pistols boicotam a entrada no «Hall of Fame». Os Buzzcocks ainda existem e editam álbuns. Os Wire, outrora art-rock de arestas pontiagudas, destilam decibéis ao vivo (e em disco, como o comprova Send, em 2003). Ramones e Undertones são matéria de alguns dos mais excitantes exercícios retrospectivos que o mercado DVD nos ofereceu nos últimos 12 meses (End of the Century – The Stoy of The Ramones e Teenage Kicks – The Story of The Undertones). Os Green Day, filhos das primeiras encarnações punk, ganharam prémios da MTV e dão concertos para estádios lotados. As pulseiras de picos e as cristas coloridas não são, por via da circularidade da moda, artefacto do museu das memórias. O punk ainda é «needles & pins» – seja ele revisto, actualizado, conservado em âmbar, deturpado, respeitado, inteiramente pervertido ou reproduzido com minúcia de copista. Inteiro ou em partes, puro ou contaminado. Quatro anos (76-79) que mudaram a face da irreverência, institucionalizaram o cuspo como arma política, o«não» como afirmação, a libertação da moral vigente como questão essencialmente social mas também comodefesa da individualidade. Altruísta, egoísta, niilista, socialista, existencialista – tudo numa amálgama de novas configurações/contradições tantas vezes abandonadas, duvidadas, mas periodicamente reiteradas. E se terá nascido, certamente, dos ecos garage-rock americanos dos anos 60 (de bandas como os Sonics, adeptas de ritmos 4/4 e riffs de guitarra crispantes), é em Inglaterra que o verdadeiro significado da expressão (que tem conotação pejorativa) ganha estatuto de agente de transformação social.

Nova Iorque incendeia Londres

É uma digressão dos Ramones por terras britânicas, em 1976, o rastilho de uma ordem em Londres. Liderada por um conservador indefectível – o guitarrista Johnny Ramone -, a banda nova-iorquina era um cadáver esquisito onde conviviam ainda um vocalista com comportamento obsessivo-compulsivo (Joey), um baixista outrora prostituto de rua (Dee Dee) e um baterista húngara que era também manager e produtor da banda (Tommy). Inglaterra recebe de braços abertos os ecos desalinhados de Nova Iorque. Os primeiros concertos britânicos do grupo de Queens verificaram-se a 4 e 5 de Julho e na assistência encontramos nomes como Joe Strummer (The Clash) ou Johnny Rotten (Sex Pistols).

A conjugação de desemprego e a falta de perspectivas no seio de uma ordem social pré-existente, aliados ao descontentamento face ao estado do rock (em insuflada face progressiva) constituem os vértices da rebelião. Os novos ventos sopravam de Nova Iorque, onde uma nova indústria musical brotava do «underground» (o bar CBGB, bandas como os Television, Blondie, New York Dolls ou Richard Hell & The Voidods), mas os ensinamentos são rapidamente assimilados com lentes de aumento pelo micr-cosmos londrino. As massas ignoram o fenómeno em território norte-americano, reduzindo-o a mero «momento musical»; Inglaterra abraça o punk e torna-o «cool». Floresce uma indústria de moda em constante desenvolvimento desde os tempos da «Swinging London», agora sob tutela de figuras como Vivienne Westwood. O estilo punk incluía alfinetes de dama, t-shirts e calças rasgadas, correntes de metal, coleiras de cão com picos usadas como adereço tanto masculino como feminino, cabelos inteiramente desalinhados, tanto pintados de cores garridas, como ao estilo moicano.

Sex Pistols, o filme

Buzzcocks, Damned e Clash são bandas da primeira vaga punk que têm em comum o facto de – todas elas – terem actuado pela primeira vez ao vivo em primeiras partes de concertos dos Sex Pistols. Com uma fundação que remonta ao início da década de 70, os Pistols eram frequentadores habituais da «SEX», loja de Kings Road, Chelsea, especializada em roupa «Teddy Boy» dos anos 50 e gerida por Malcolm McClaren, que viria a tornar-se o manager do grupo. A guitarra Les Paul de Sylvain Sylvain (dos New York Dolls), a t-shirt rasgada e o cabelo espetado de Richard Hell (à altura baixista dos Television) e os três acordes dos Ramones são a trindade fundadora dos Pistols, novos heróis da classe operária.

«Anarchy in the U.K.», o primeiro single, é editado pela EMI em Novembro de 1976 e, pouco depois, o grupo faz furor na televisão ao dizer «merda» em directo na ITV. Os tablóides trazem o assunto à capa e um deles, o Daily Mirror, recorre a um titulo que viria a tornar-se famoso: «The Filth and the Fury» («A Porcaria e a Fúria»). A «Anarchy Tour» é abreviada e a relação com a EMI não dura muito. Os Sex Pistols são, para os conservadores, resíduos de uma geração em desagregação.

No início de 77, o baixista Glen Matlock dá lugar a sid Vicious, um fã de longa data recrutado por McLaren unicamente pelo visual e atitude punk. O álbum Nevermind the Bullocks, Here’sThe Sex Pistols sai em Outubro, cinco meses depois de novo e polémico single, «God Save the Queen», editado na semana do Jubileu de Prata da Rainha Isabel II, que quase liderou a tabela de singles britânica. Em entrevista à edição de Fevereiro deste ano da revista Mojo, John Lydon confessa-se – trinta anos depois – apoiante da rainha. As contradições punk fazem parte da história.

A contestação exterior é, no final da carreira dos Pistols, evidente. A banda é obrigada a actuar sob vários pseudónimos em locais não anunciados para evitar confrontos policiais. O último concerto acontece no dia de Natal de 1977, um evento de beneficência cujos lucros revertem para as famílias de bombeiros em greve, em Huddersfield. Um mês depois, Johnny Rotten anuncia o fim dos Sex Pistols.

Ideia social

Os Damned foram os primeiros punks ingleses a editar um single («New Rose»), mas são os Clash que incorporam de forma mais evidente a carga ideológica do movimento. Provavelmente a banda mais intelectual de todas as que surgiram em 76/77 em território britânico, os Clash canalizavam a revolta da classe proletária de Londres numa música mais refinada do que os três acordes estipulados pelos Ramones e que bebia também reggae. «White Riot», «Guns of Brixton» ou «London’s Burning» congregam atitude punk, rock dos primórdios (inspiração dos anos 50) que faz dançar, no que constitui uma espécie de antítese teórica do punk – insistem na faceta melódica, fogem ao esquema mote-slogan e ao niilismo a ele associado (o «no future» dos Pistols) e, mais do que veículos de propaganda, afirmam-se como consciência político-social do punk britânico com vistas universais, ainda hoje uma matriz de quase todo o rock com preocupações políticas (vide um exemplo nacional, o dos lisboetas Vicious 5).

Caso de Amor

Mais distantes da consciência colectiva dos Clash e a par com o auto-exame de frustrações dos Ramones, os Buzzcocks introduzem no punk-rock, logo aos primeiros dias, o factor amoroso, Pete Shelley e Howard Devoto (que sai antes do primeiro álbumpara formar os Magazine) servem-se da metodologia punk (a auto-limitaçao da abrangência musical) para inculcar na sua música um pendor melódico que tem paralelos na pop dos anos 60. «Orgasm Addict» («well you tried it just for once / found it all right for kicks / but now you found out / that it’s a habit that sticks») ou «Ever Fallen In Love?» You disturb my natural emotions / you make me feel like dirt / and I’m hurt / and if I start a commotion / I’ll only end up losing you / and that’s worse») sao micro-vinhetas adolescents que lidam com a frustraçao da formula «sujeito conhece objecto de atracçao» num jogo de «eu-tu» em que se desvendam ânsias e preconceitos, expectativas e desapontamentos. Sempre com o aceno tónico em questões puramente sentimentais. Punk com coração.

 

Luis Guerra (BLITZ – 7 Março 2006)

Roundhouse – Onde Tudo Começou… (Punk) por Werner Vana Filho

Tarefa difícil essa que me propus fazer… Uma coluna sobre punk rock e tudo que for relacionado as dezenas de estilos que surgiram derivados dele!
Por onde começar?

O que é punk?

Procurei em alguns dicionários. No Aurélio (ao menos na edição que tenho) não há nenhuma menção… Resolvi partir para o inglês, e no Michaelis também não encontrei nada… De acordo com a edição internacional do ‘Funk & Wagnalls’ (inglês / inglês) encontramos as seguintes definições:

1. Wood decayed trough the action of some fungus and useful as tinder.
2. nonsense. anything worthless
3. a pretty hoodlum
4. a prostitute

Ha ha ha! Madeira com fungos? Caminho pra lugar nenhum? Prostituta???

Esqueçamos os dicionários!

O termo "punk" já era empregado na Inglaterra medieval como ofensa. Em "Medida por medida", uma das comédias de William Shakespeare (1564-1616), existe a seguinte fala: "Casar com um punk, meu senhor, é apressar a morte!". Em "Juventude Transviada" ("Rebel Without a Cause", Warner, 1955), aumente o volume quando James Dean estiver brigando no planetário, pois ele xinga a gangue inimiga de arruaceiros de… PUNKS! A palavra "punk" apareceu a primeira vez em uma letra de rock em 1973, na música "Wizz Kid", do grupo Moot the Hoople.

É impossível começar pra valer sem citar Ramones. Os puristas do virtuosismo musical certamente vão discordar mas a verdade é que Ramones é uma das bandas mais influentes e revolucionárias da história. Ninguém tem dúvidas de que Joey (Jeff Hyman), Johnny (John Cummings), Dee Dee (Douglas Colvin) e Tommy (Tom Erdelyi) sob a alcunha de Ramones (homônimo fictício usado por Paul McCartney para as reservas em vôos e hotéis) não sabiam tocar, compunham letras simples e músicas que teoricamente poderiam ser criadas por qualquer adolescente. O que muitos esquecem é que a importância da banda reside exatamente nesse descompromisso com os valores que então reinavam no rock. A noção de uma música simples, pesada, sem solos e com menos de três minutos de duração ainda não existia em 1974.

Os Ramones subverteram todos os valores em vigência. Numa época em que as paradas eram dominadas por bandas como Boston, Styx, Reo Speedwagon e outras, os Ramones criaram músicas sem solos, sem viradas de bateria e com letras bizarras. Joey declarou certa vez: "Eu estava cansado de ouvir músicas de 15 minutos, com solos de bateria e letras sobre discos voadores ou conquistas medievais. Erámos pobres e sem perspectivas, não estávamos interessados em "arte", queria uma música que falasse diretamente da minha realidade".

Dá pra contar nos dedos os roqueiros realmente revolucionários, aqueles que criaram músicas diferentes de seus predecessores e mudaram o curso da história da música em sua época… Hendrix, Beatles, Led Zepellin, algumas outras… e Ramones!

Certamente "punk" não é apenas um estilo musical, mas também uma ideologia, um modo de pensar e agir, um estado de espírito e, consequentemente, uma forma de encarar a vida. Existem muitos estilos musicais que não estão associados a nenhuma ideologia e esse fato torna a popularização algo natural, uma vez que não existe outro compromisso senão considerar o "som" agradável muitas vezes sem ao menos entender a letra da música, ou qual mensagem ela transmite. Punk rock envolve também uma "causa", e essa parte não é mérito dos Ramones, pois a parcela política (que com o passar do tempo transformou o estilo musical em um "movimento") veio com (muitas) outras bandas como por exemplo Sex Pistols e The Clash, mas isso já é outra história…

O Primeiro show dos Ramones na Europa foi na "Roundhouse" em Londres no dia 4 de julho de 1976. Todas as bandas de Londres circulavam pelo beco tentando entrar na casa pra assistir os Ramones. Esse show é considerado o nascimento definitivo do punk… Mick Jones e Paul Simonon decidiram montar o The Clash depois de assistir esse show… Johnny Rotten e Sid Vicious (ambos menbros dos Sex Pistols) também estavam lá… A partir de então surgiu uma "cena" punk também na Europa, e assim a coisa cresceu por si só…

Para finalizar, gostaria de citar as fontes que pesquisei pra escrever este texto, que são leitura imprescidível para quem se interessa pelo assunto:

– "O que é punk" (Antônio Bivar, editora Brasiliense)
– "Mate-me por favor" (Legs McNeil e Gillian McGain, editora L&PM)
– "Punk anarquia planetária e a cena brasileira" (Silvio Essinger, editora 34)

Já sei que para o próximo mês terei muitos assuntos pra comentar… CDs que estão sendo lançados, e alguns shows que estão confirmados pelo Brasil… Dessa forma a coluna não ficará restrita somente ao passado, felizmente poderei escrever sobre a cena atual, sobre o que está acontecendo em 2002.

 

As músicas locais no Pop-Punk global

Reflexos das músicas do mundo no panorama pop-rock mundial. Dos System of a Down e dos Beatles a Cornershop e Missy Elliott.

Embora se mova, tal como a História, em movimentos circulares e repetitivos, a música e respectivos círculos não se sobrepõem (por enquanto), fugindo à sensação de que nunca nos movemos do mesmo sítio. De um modo ilusório, isso poderá acontecer – Madonna a pegar no disco-sound, os White Stripes a tocarem blues-rock, os Oásis a aplicarem papel-quimico sobre o reportório dos Beatles; mas a verdade é que, por mais bem definidos que os géneros musicais até possam ser, a sua mutabilidade é ponto assente e garantido. Daí que a natural necessidade genética de procurar inovar e não repetir até à exaustão tudo aquilo que já foi feito anteriormente, trate de impelir géneros aparentemente estanques em busca de novos cruzamentos estilísticos. O nu-metal foi isso mesmo, ao cruzar as pungentes guitarras metálicas com ritmos e vocalizações vindas do hip hop. Mas tudo isto faz parte de um «plano global», reflexo de um mundo em que cada vez menos os ouvintes vivem dentro de espartilhos, cruzando os mais variados gostos em se deixar aprisionar por uma única direcção sonora. Junte-se a isto proveniências distintas, fundos culturais diversos e personalidades não condizentes, e uma banda dificilmente poderia resultar em algo menos que uma fusão, fosse sob que forma fosse.

De todos estes casos, os System of a Down representam um dos mais curiosos e bem sucedidos. Porque não actuam de acordo com uma lógica programática: ou seja, não tentam ser diferentes pela diferença. Sendo músicos de origem arménia, a ligação que mantêm a essas raízes musicais sempre implicou uma sonoridade diferente da praticada pela grande maioria das bandas de metal – o vocalista Serj Tankian lançou mesmo o disco Serart, com o percussionista da Armenian Navy Band, Arto Tunçboyaciyan. Da mesma forma que ninguém estranha a toda uma geração do asian underground – música com sabor a caril, mas confeccionada em território britânico – as incontáveis «intromissões» em cenários da música de dança, já matrimonialmente ligada ao rock, de elementos indianos, paquistaneses, etc. Foi o caso dos Asian Dub Foundation, de Talvin Singh, State of Bengal ou Nitin Sawhney. Ou quando os Cornershop irromperam pelas tabelas com o seu «Brimful of Asha», ninguém se questionou o porquê de se sentir uma frescura sonora claramente ausente da pop inglesa no confronto com uma banda cuja fisionomia não esconde a sua origem e cujo nome remete precisamente para aquilo que são – «cornershop», loja de esquina, é o espaço habitualmente utilizado pelos comerciantes indianos e paquistaneses em Londres, por forma a potenciar o seu comércio, ao tentar o apelo a um público vindo de duas ruas distintas.

Se bem que já os Sepultura – com um trash metal mais específico – tivessem vincado a sua nacionalidade dentro de um contexto pesado, semelhante ao dos System of a Down, nada desmerece a exploração individual que cada um faz da sua colecção de referências. No caso dos irmãos Cavalera (Max seguiu a mesma vertente nos Soulfly), tudo se resume à introdução de uma riqueza rítmica em tudo devedora da música popular brasileira. E, em grande parte, tudo isto entronca directamente num fascínio pelo exótico. Daí que, por exemplo, quase toda a música de dança tenha passado a pautar-se pelos ritmos menos convencionais, vindos quer do mundo árabe, quer de tudo quanto são sonoridades latinas. A música brasileira tornou-se a base para tudo. E apela tanto aos Thievery Corporation, como a Devendra Banhart e a Beck – que não se furta igualmente a referências mais indianas. E a todo o mundo do jazz – como, por exemplo, o pianista de jazz Uri Caine (bem patente no álbum do seu trio, sintomaticamente intitulado Rio). E praticamente toda a gente que alguma vez teve um instrumento nas mãos. Porque, no fundo, parte considerável daquilo que é «vendido» reside no fascínio pelo desconhecido, por tudo aquilo que se encontra por detrás da porta.

Ainda no espaço geográfico da América Latina, o projecto parisiense Gotan Project foi à Argentina, pegou no tango e despejou-o sobre uma electrónica sensual numa tentativa de modernização de uma sonoridade carnal como poucas. O resultado é por demais conhecido em La Revancha del Tango. De França aos ritmos cubanos, nada tem igualmente escapado à banda pop Paris Combo, que se passeia alegremente por uma fusão com jazz e ritmos de salsa e mambo. Dando um pulo até África, os exemplos notórios são ainda de pouca monta. Damon Albarn, dos Blur, juntou-se a vários músicos malianos (entre os quais Afel Bocoum e Toumani Diabaté) para a gravação de Mali Music – à semelhança do que fez o Rolling Stone Brian Jones com os Master Musicians of Jajouka em Brian Jones Presents The Pipes of Pan at Jajouka, e da experiência consumada na própria discografia dos Beatles depois do encantamento de George Harrison pela música indiana –, tendo posteriormente arrastado o resto da banda para registar parte de Think Tank em Marraquexe. Think Tank, o mais recente álbum dos ingleses, está pejado de alusões aos blues do Mali, a exemplo do que se escuta no single «Out of Time».

No domínio da pop mais planetária (no sentido de mais abrangente), nem mesmo Britney Spears escapa à atracção pela música capaz de balançar as medalhas de ouro falso das protagonistas da dança do ventre arábica. Num dos seus mais bem sucedidos singles, «Toxic», a cantora fez-se valer de cordas sintetizadas do reino das 1001 Noites como principal motivo musical de contraponto às suas vocalizações. Noutro prisma, as cordas do Médio Oriente e do Magreb são também propulsores habituais das programações em loop sobre as quais Missy Elliott solta o seu rap. Também M.I.A., no seu disco de estreia, se balança sobre um tipo de percussões hipnóticas mais em sintonia com a África tribal que com qualquer sofisticação de estúdio.

 

Gonçalo Frota (BLITZ – 29 Novembro 2005)

A Brief History Of … Thrash

1 – KNOW THIS: the key facts.
It sounds like: A misanthropic threshing machine armed with a spiky BC Rich guitar.
Key bands: Metal Church, Metallica, Slayer, Anthrax, Kreator, Megadeth.
The look: Denim, waistcoats and bullet belts are optional. Flailing necks and pick hands moving at Wank Factor 9 are not.
The lowdown: Heavy metal always involved both power and pace but it took a bunch of spotty oiks from San Francisco to ratchet it all up a notch and take it to the next level. Metal Church were there first, but it was Metallica who exploded, taking the groundwork laid by Venom, Motörhead and the New Wave Of British Heavy Metal and adding an element of, well…thrash. In its mid-’80s heyday it whipped up a dandruff-storm that would blind a camel before being supplanted by various other metallic subgenres. In 2007 however, pure thrash is making a comeback. Now bang that head that doesn’t bang.
 
2 – DOWNLOAD THESE: your iPod is naked without…
Exodus – A Lesson In Violence
Municipal Waste – Unleash The Bastards
Testament – C.O.T.L.O.D.
Death Angel – Evil Priest
Dark Angel – Merciless Death
Destruction – Curse The Gods
Sabbat – Behind The Crooked Cross
Overkill – Electro-Violence
Evile – Thrasher
Sodom – Nuclear Winter
Acid Reign – Motherly Love
 
3 – BUY THESE: the essential albums.
METALLICA – Master Of Puppets (Elektra, 1986)
 
  Their first two might have been more full-on but Metallica’s third album saw them scale the heights of metallic perfection. Tracks like Battery and Damage Inc. were still set to stun but elsewhere they added an as-yet unmatched sense of dynamics.
 
SLAYER – Reign In Blood (Def Jam, 1986)
 
  With a running time of just 28 minutes, Reign In Blood is the ultimate short, sharp shock and widely considered the best thrash album ever made. Chock full of serrated riffs, squalling solos and controversial lyrics, this is nastiness at its most compact.
 
KREATOR – Pleasure To Kill (Noise, 1986)
 
  Meanwhile, over in Germany, Destruction, Sodom and especially Kreator had been churning out a brutal Teutonic take on thrash that had been hugely influential on an emerging death metal scene and was angrier than a peeled stoat dipped in a bucket of salt.
 
ANTHRAX – Among The Living (Island, 1987)
 
  With their skateboards, foolish shorts and Judge Dredd fixation, there was something cartoonish about Anthrax but that didn’t stop them from combining a sense of fun and accessibility with some seriously hooky slam on their third and greatest album.
 
MEGADETH – Rust In Peace (Capitol, 1990)
 
  Sacked from Metallica following a dog-kicking incident, Dave Mustaine took his guitar prowess and evil Daffy Duck vocals and spent the next few years making state-of-the-art technical thrash from beneath the shadow of his former band.
 
4 – READ THIS: Thrash Metal (by Garry Sharpe-Young)
A comprehensive overview of all things thrash, this takes in everything from early influences to the mutations that would fuel offshoots from black and death metal to metalcore and beyond. These are the words of a man who clearly knows his thrash metal onions and who’s interviewed seemingly everyone, including Metallica legend Cliff Burton just days before his death.
 
5 – WATCH THIS: Some Kind Of Monster
 
Okay, so Metallica haven’t been a straight thrash act for some time now but it’s interesting to contrast the fresh-faced (uh, make that ‘acne-pitted’) youths on the back of Kill ‘Em All with the therapy-buying gazillionaires of today. Unmissable, if only to see Lars Ulrich getting nose-to-nose with James Hetfield and screaming "FUCK!" in his face.
 
THE INSIDER: Scott Ian (Anthrax)
"The original influences for myself were a pretty mixed bag. You had Sabbath and Priest and Maiden and Motörhead being the main bunch, but then Raven and Venom were certainly influential as well. Add the likes of Discharge and GBH and it all kind of fermented together. I’m not sure there was any conscious decision to take it up a level – sometimes I think the reason we started playing faster was because we’d be jamming a Motörhead song and we just weren’t that disciplined as musicians.
It did feel special, though – it was really exciting to be in a band at that time. We went from nothing to a point where people were coming to the shows and getting excited about our music. All the bands were really good friends as well. It was a really tight-knit scene.
 
 
 
 
 

Atracção em Liverpool – Dormir com os Beatles

O primeiro hotel dedicado à banda de Lennon e McCartney recebeu o nome de uma das canções mais conhecidas da dupla: Hard Day’s Night. Abre no dia 1 de Fevereiro.

  Tem 110 quartos, dois restaurantes, dois bares, uma galeria de arte e não é um hotel qualquer. No Hard Day’s Night Hotel, em Liverpool, conta-se a história da banda mais popular de sempre. Espalhados pela cave ou pelas suítes, no sexto andar, vários quadros, fotografias e outros objectos de arte contam a odisseia dos Beatles – desde os primeiros concertos no Cavern Club, situado a escassos metros do hotel, aos últimos acordes tocados por John, Paul, George e Ringo no telhado dos estúdios da Apple.
  O nome deste hotel de quatro estrelas é o mesmo de uma das mais célebres canções do grupo. Como logótipo, tem um desenho de uns dedos sobre as cordas de uma guitarra. A experiência revivalista começa logo à porta. Estátuas de John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison, decorando a fachada do edifício, recebem os hóspedes e fãs. Lá dentro, os quatro fabulosos de Liverpool são lembrados em cada canto. Na entrada, um mural da autoria de Paul Ygartua (pintor e colega de John Lennon no Liverpool Art College), que só será revelado no dia da inauguração, promete surpreender os clientes. Pelos corredores, há imagens dos músicos registadas pelo fotógrafo oficial da banda, Paul Saltzman. E em todos os quartos (que custam, em média, 192 euros por noite), o ambiente é dominado por um quadro, com a cara de um dos Beatles, pintado pela norte-americana Shannon, que começou a desenhar os Fab Four quando tinha apenas 6 anos de idade.

  Os restaurantes e bares também contam a história dos Beatles. No Hari’s, destaca-se as influências que as viagens à Índia exerceram no quarteto; e no Blake’s (assim chamado em homenagem a Peter Blake, criador da capa do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band) evocam-se acontecimentos marcantes dos anos 60.
  Os pormenores de decoração das duas suítes, a Lennon e a McCartney (863 euros por noite), são secretos. Só foi revelado que, no quarto dedicado a John Lennon, haverá um piano de cauda branco igual ao que aparece no teledisco Imagine. Na suíte McCartney estará exposto o fraque usado por sir Paul quando recebeu o título de cavaleiro em 1977.
  O hotel – no qual nem Ringo Starr nem Paul McCartney estiveram envolvidos – abre a 1 de Fevereiro. O projecto foi desenvolvido pela Cavern City Tours, uma empresa formada em 1985 por um professor e um taxista que fez uma pequena fortuna a servir de guia às centenas de milhares de fãs que acorrem a Liverpool todos os anos para conhecer a cidade dos Beatles.

Os quatro no quarto

John Lennon – De 25 a 31 de Março de 1969, durante a lua-de-mel com Yoko Ono, recebeu os jornalistas na sua cama do Hilton Amsterdam Hotel.
George Harrison – Quando lhe perguntaram o que faziam no hotel antes de um concerto, respondeu: “Patinamos no gelo”.
Paul McCartney – No início da banda, McCartney e Lennon costumavam escrever as letras das canções nos quartos de hotel, antes de começarem os concertos.
Ringo Starr – Quando os Beatles acabaram, aprendeu a compor música no computador, num quarto de hotel.

FONTE: Sábado